SAC vs Tabela Price: qual sistema escolher
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SAC vs Tabela Price: qual sistema escolher

Escolha que vale centenas de milhares

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Os dois sistemas em uma frase

SAC (Sistema de Amortização Constante): a parte do principal que você amortiza todo mês é igual. Os juros, calculados sobre o saldo devedor, vão diminuindo — então a parcela total cai ao longo do tempo. Começa alta, termina baixa.

Tabela Price (sistema francês): a parcela total é fixa do início ao fim. No começo, você paga muito juro e amortiza pouco principal. Com o tempo, a proporção se inverte. Parcela inicial é menor que a do SAC, mas você paga mais juros no total.

Simulação concreta: financiamento de R$400.000

Premissas: imóvel de R$500.000, entrada de R$100.000 (20%), financiamento de R$400.000 em 360 meses (30 anos) a 10,5% a.a. + TR (assumindo TR = 0).

MétricaSACPrice
1ª parcelaR$ 4.611R$ 3.659
60ª parcela (5 anos)R$ 4.027R$ 3.659
120ª parcela (10 anos)R$ 3.443R$ 3.659
240ª parcela (20 anos)R$ 2.276R$ 3.659
Última parcelaR$ 1.119R$ 3.659
Total pago (capital + juros)R$ 1.030.000R$ 1.317.000
Total de jurosR$ 630.000R$ 917.000
Diferença SAC vs PriceSAC paga R$ 287.000 a menos em juros

Conclusão direta: no nominal, SAC economiza R$287.000 ao longo de 30 anos. Mas a Price tem parcela inicial R$952 mais baixa — pode ser a diferença entre conseguir ou não comprar o imóvel hoje.

Quem deve escolher SAC

  • Quem cabe a parcela inicial confortavelmente (regra prática: parcela ≤ 25% da renda).
  • Quem planeja amortizações com FGTS — efeito maior no SAC porque o saldo devedor cai mais rápido.
  • Quem vai aumentar a renda nos próximos anos, mas começa com folga já hoje.
  • Quem prioriza economia no longo prazo sobre flexibilidade de orçamento.

Quem deve escolher Price

  • Quem precisa da parcela mais baixa para fechar o financiamento e aprovar no banco.
  • Quem prefere previsibilidade de orçamento — parcela fixa simplifica o planejamento mensal por décadas.
  • Quem vai investir a diferença entre a parcela do SAC e da Price em ativos que rendem mais que 10,5% a.a. (pouca gente realmente faz isso, mas em tese é possível).
  • Quem espera quitar o imóvel cedo com venda ou herança — a diferença total perde importância em prazos curtos.

Amortização extraordinária: o multiplicador

Em qualquer um dos sistemas, amortizar antecipadamente é uma das melhores aplicações de capital. Ao amortizar R$10.000 num financiamento de 10,5% a.a. com 25 anos restantes, você economiza juros futuros equivalentes a um investimento dessa quantia rendendo 10,5% pelos próximos 25 anos — praticamente garantido.

Estratégia ótima:

  1. 1. Use FGTS para amortizar a cada 2 anos (período mínimo entre saques).
  2. 2. Aporte o 13º e bônus anuais como amortização extraordinária.
  3. 3. Sempre escolha "reduzir prazo" em vez de "reduzir parcela" — economiza muito mais juros.
  4. 4. Considere também 14º salário ou férias para amortizar (planeje em janeiro/julho).

Quem disciplina amortizações pode quitar um financiamento de 30 anos em 12–15 anos, economizando centenas de milhares de reais.

Atenção à correção do saldo devedor

Além dos juros nominais, o saldo devedor é corrigido por algum indexador. As opções comuns:

  • TR (Taxa Referencial): historicamente perto de zero. Padrão da Caixa.
  • Poupança: rendimento da caderneta. Mais previsível em ciclos de juros baixos.
  • IPCA: inflação cheia. Em ciclos de inflação alta, pode encarecer significativamente.
  • Pré-fixado: taxa total fixa (juro + correção). Raro, mas existe.

Em 2024–2026, com TR ainda perto de zero, o financiamento TR + 10–11% a.a. é o mais comum e previsível. Em ciclos de Selic muito alta, TR pode ressurgir e encarecer o financiamento.

O custo de oportunidade

Antes de financiar, considere: a R$ 287.000 de juros do exemplo acima poderiam estar comprando Tesouro IPCA+ ou ações. Por isso, financiar só vale quando o imóvel agrega valor que justifique o custo: moradia (não pagar aluguel), localização irreplicável, ou rendimento de aluguel próprio acima da parcela.

Use a calculadora Alugar vs Comprar do InvestiCalc para fazer o comparativo completo — em muitos cenários (especialmente em São Paulo e Rio em fases de imóveis caros), alugar e investir a diferença supera comprar financiado.

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